Nos últimos tempos cada vez mais bailarinas relatam sentir algum tipo de dor, independente da idade. Claro que isso reflete de alguma forma, na atitude perante a dança, os ensaios e os projetos futuros. Diante de tal situação vêm, as consultas médicas, os remédios caseiros e as benzedeiras de plantão. Em alguns casos inclusive intervenções cirúrgicas. Mas qual é a origem da dor? De onde ela vem? Porque a sentimos?
Dor é uma palavra derivada do latim, ôrem, que pode ser definida como uma resposta que alerta os indivíduos para a ocorrência de alterações na integridade ou na funcionalidade do organismo, permitindo que mecanismos de defesa ou de fuga sejam adotados. Em 1986, a International Association for Study of Pain (IASP) propôs a seguinte definição para dor: “É uma experiência sensorial e emocional desagradável que associamos com lesão tecidual ou descrevemos em termos de tal lesão”.
A experiência dolorosa na dança tem sido objeto de crescentes pesquisas nos últimos anos. Assim como os profissionais do esporte, os bailarinos apresentam dor e limiar de tolerância à dor elevados, sendo comum encontrarmos esse tipo de atletas com diversas lesões decorrentes do esforço excessivo.
Vários são os fatores que estão relacionados com o aparecimento e a frequência dos traumatismos na dança ou atividade física própria da dança. Porém, a fadiga muscular provocada pelo excesso de atividade física, em especial na época em que se aproximavam os espetáculos, as competições, somadas às aulas e aos ensaios, parece ser um dos principais fatores desencadeantes e, muitas vezes, o que torna a lesão ainda mais incapacitante do ponto de vista funcional nos fazendo pensar sobre as repercussões decorrentes das dores recorrentes na vida cotidiana e no desenvolvimento das atividades artística desse grupo de bailarinos. O conhecimento mais profundo da prevalência da dor entre profissionais nos reporta à importância da procura de ajuda terapêutica adequada citando, a fisioterapia não só como coadjuvante, mas como parceira do tratamento que se quer usar. De acordo com estudos apresentados por Bianca Fontes Dor e Ricardo Oliveira , foram observados níveis bastante elevados de dor, intensidade de moderada à intensa, em 70,2% das bailarinas. Conforme outras pesquisas, os profissionais de dança apresentam todos os problemas de um atleta vigoroso.
Além disso, fatores pessoais, econômicos, psicológicos e físicos aumentam o estresse em bailarinos, o que pode levar ao aumento da dor e, consequentemente, do risco de lesões. Observou-se que os bailarinos apresentam dor principalmente nos pés, tornozelos, joelhos, quadris e costas e que o medo de lesões é comum entre os membros dessa classe, já que podem provocar permanente incapacidade e o fim de sua carreira como bailarino, ocorrendo, em parte, pela posição clássica da dança, na qual os membros inferiores se encontram em rotação externa , apoio nas extremidades dos dedos na posição de ponta ou nos equilíbrios com os pés em posição de meia ponta. Além disso, as repetições naturais da dança, desequilíbrios musculotendíneos, mau alinhamento anatômico das extremidades inferiores, uso de sapatilha, superfície do chão e as longas horas perdidas de ensaios causam lesões por esforço repetitivo assim como na dança do ventre a frequente utilização das rotações de quadril. Esses fatores mostraram-se ainda mais significativos no período de montagens de espetáculos, devido ao fato de o bailarino estar sujeito a maior estresse físico e emocional, que favorece consequentemente o aparecimento da dor e lesões.
Estudos realizados afirmam haver evidências significativas de que intervenções psicológicas podem reduzir os danos na dança e que, quando se planejam programas de intervenção projetados para ajudar a reduzir lesões em bailarinos, os médicos deveriam identificar os fatores psicossociais envolvidos com o risco de lesão percebidos pelos artistas.
Diante da elevada prevalência e intensidade de dor nos bailarinos, observada com a apresentação dos resultados, detecta-se a necessidade da aplicação de programas de intervenção fisioterapêutica, tanto de cunho preventivo como reabilitatório, objetivando.
A melhoria no desempenho e na qualidade de vida desses profissionais, mediante a aplicação de técnicas cinesioterapêuticas específicas e direcionadas a esse contingente especial de atletas que são os bailarinos.
Portanto a postura correta das séries, um planejamento adequado dos ensaios e da utilização de coreografias bem elaboradas e com movimentos definidos, além da utilização de meios de relaxamento adequados tanto físicos quanto psicológicos são ferramentas uteis para prolongar a vida útil da bailarina com bem estar e qualidade de vida
